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Vol. 32 nº 2 - Mar/Abr de 2010

 

Editoriais e Comentários Páginas 98 a 98

Efeitos adversos e resposta citogenética em pacientes com leucemia mieloide crônica tratados com imatinibe

Autores: Israel Bendit1

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Neste volume da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, Alvarenga e cols. reportaram um estudo retrospectivo de análise de prontuários sobre os efeitos adversos e a resposta citogenética em 51 pacientes com leucemia mieloide crônica (LMC) tratados com imatinibe.

A LMC apresenta como característica a translocação cromossômica denominada de cromossomo Filadélfia (Ph), onde ocorre a justaposição do gene ABL, localizado no cromossomo 9, com o gene BCR no cromossomo 22, resultando na formação do gene quimérico BCR-ABL, que, por sua vez, é transcrito e traduzido na oncoproteína BCR-ABL, que apresenta, como característica, atividade de tirosina quinase.

Estes conhecimentos fizeram uma verdadeira revolução no tratamento da LMC através do emprego de compostos químicos, denominados de inibidores de tirosina quinase, contra um alvo específico; no caso da LMC, a oncoproteína BCR-ABL. Dentre os inibidores de tirosina quinase conhecidos, o imatinibe foi o primeiro a ser utilizado no tratamento de pacientes recém-diagnosticados com LMC em fase crônica. No estudo IRIS, acrônimo para International Study of Interferon and STI571, foram randomizados 503 pacientes com LMC em fase crônica para o braço do interferon alfa e citarabina e 503 pacientes para o braço do imatinibe, permitindo que houvesse a mudança de tratamento entre os grupos quando necessário. Este mesmo estudo demonstrou que os pacientes tratados com imatinibe alcançaram a resposta hematológica completa em 92% dos casos aos três meses e em 96% e 98% aos 12 e 60 meses respectivamente. Quanto ao desaparecimento do cromossomo Ph, também denominado de resposta citogenética completa, ocorreu em 69% e 87%, aos 12 e 60 meses após o início do tratamento com imatinibe. Quanto aos efeitos adversos reportados pelo estudo IRIS, 4% dos pacientes descontinuaram o tratamento com imatinibe, sendo que os efeitos grau 3 e 4 mais frequentes foram a neutropenia, plaquetopenia, anemia e elevação das enzimas hepáticas.

Alvarenga e cols. demonstram, pela primeira vez, a experiência de um serviço quanto à resposta citogenética e os efeitos adversos numa população brasileira tratada com imatinibe. Infelizmente, não é possível fazer uma análise comparativa com os resultados publicados internacionalmente devido à heterogeneidade da população estudada, o que não invalida os resultados apresentados por Alvarenga e cols.

Esta publicação poderia ser um exemplo para que outras instituições que utilizam os inibidores de tirosina quinase no tratamento da LMC agregassem a experiência adquirida no manuseio destes pacientes e publicassem um trabalho como um todo.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Alvarenga TF, Carvalho LO, Lucenas SB, Dobbins J, Azevedo A, Fernandez TS, Ornellas MH. Efeitos adversos e resposta citogenética em pacientes com leucemia mieloide crônica tratados com imatinibe. Rev Bras Hematol Hemoter. 2010;32(2):116-122.











1. Professor Livre Docente de Hematologia. Chefe do Laboratório de Biologia Tumoral, Disciplina de Hematologia do HC-FMUSP - São Paulo-SP.

Correspondência:
Israel Bendit
Rua Dr. Candido Espinheira, 155
05004-000 - São Paulo/SP - Brasil
E-mail: isbendit@usp.br

Avaliação: O tema abordado foi sugerido e avaliado pelo editor.

Recebido: 15/04/2010
Aceito: 16/04/2010
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